OBITUÁRIO: HARTMUT BITOMSKY

Faleceu Hartmut Bitomsky, cineasta e ensaísta alemão, figura incontornável do cinema documental e da reflexão crítica sobre imagem em movimento.

Nascido em Bremen em 1942, Bitomsky foi “compagnon de route” de Harun Farocki, seu colega na Academia Alemã de Cinema e Televisão (dffb), com quem co-realizou filmes, e partilhou o protagonismo na revista Filmkritik, nas décadas de 1970 e 80, com textos de grande impacto no debate crítico e teórico sobre cinema.

Como cineasta Bitomsky destacou-se pela realização de filmes-ensaio, com recurso a arquivo, sobre a natureza do cinema, a sua história e alguns dos seus protagonistas, como John Ford, Humphrey Jennings ou Godard. Inestimáveis os seus filmes da apelidada “trilogia alemã” – composta por “Imagens da Alemanha” (co-realizador por Heiner Mühlenbrock; 1983), sobre a imagética propagandística do Terceiro Reich, “A Auto-Estrada do Reich” (1986), que tem como tema o projecto das auto-estradas levado a cabo pelo regime nazi, e “O Complexo VW” (1989), que explora a condição da Volkswagen enquanto símbolo da reconstrução económica alemã do pós-guerra –, mas também “O Cinema e a Morte” (1991), meditação filosófica em forma de vídeo-ensaio sobre esse grande tema, ou “B-52” (2001), que apanha boleia do avião do título para fazer uma reflexão sobre os EUA e a tecnologia bélica enquanto imagem de poder e medo.

Com a morte de Hartmut Bitomsky desaparece uma das vozes mais lúcidas e exigentes do cinema, cuja obra perdurará como testemunho da interrogação crítica e da paixão pelo poder das imagens.

 

Na hora da sua morte, evocamo-lo com “O Cinema e a Morte” (com a hipótese de legendas de tradução automática do YouTube):

https://www.youtube.com/watch?v=Act2sv1IKTA