JOÃO CANIJO (1957-2026)

Com consternação soubemos do falecimento inesperado de João Canijo. O celebrado e profícuo cineasta português deixa também no território documental o seu legado, não fosse para si filmar “uma tentativa de compreender porque é que as pessoas são como são”, uma afirmação que define a sua necessidade de estabelecer um diálogo com a realidade, que é a vocação maior do documentário. Nesse âmbito tocou o cinema com “Fantasia Lusitana” (2010), um filme de arquivo que desenvolve a dialéctica entre a passagem por Portugal de refugiados estrangeiros, fugidos à 2.ª Grande Guerra, e o projecto propagandístico da Exposição Mundo Português, montada pelo regime de Salazar; bem como tocou a televisão, com trabalhos como “Guia de Portugal”, série da RTP, co-realizada por Anabela Moreira, que segue os passos da obra monográfica homónima de Raul Proença e Sant’Anna Dionísio.
Outras obras documentais que deixa são “Trabalho de Actriz, Trabalho de Actor” (2011), que segue o processo de preparação do elenco da sua ficção “Sangue do Meu Sangue”; “Portugal: um Dia de Cada Vez” (2015), sobre a modernidade social no país, e “Diário das Beiras” (2017). Realizou ainda as docuficções “É o Amor” (2013), focando as peixeiras das Caxinas, “Fátima” (2017), acompanhando uma peregrinação até ao santuário, e “Fojos” (2020), retrato de uma comunidade remota. Fez também o documentário de curta-metragem “Raul Brandão Era um Grande Escritor…” (2012) e as curtas de cariz documental “A Meio Amor” (1984), “Mãe Há Só Uma” (2006), “Obrigação” (2012) e “O Dia do Meu Casamento (2016)”.
“Fantasia Lusitana”
https://www.youtube.com/watch?v=cAtTwRnjXyQ
“Guia de Portugal”



